Janeiro é o mês de conscientização contra a Hanseníase

05 - 01 - 2021- Ribeirão Preto

Ribeirão Preto Ribeirão Preto

O Brasil ocupa o segundo lugar mundial em número de casos de hanseníase, perdendo apenas para a Índia. Na última década, foram registrados cerca de 30 mil casos novos por ano no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. 

O pico da doença no território brasileiro foi observado em 2003, com 51.941 casos. Por isso, em 2016, o Ministério da Saúde oficializou o mês de janeiro e consolidou a cor roxa para campanhas educativas sobre a doença no país. 

Características

A hanseníase é uma doença infectocontagiosa causada por uma bactéria (Mycobacterium leprae) que apresenta características peculiares. Uma delas é que todos os brasileiros, por morarem em um país endêmico, têm contato com ela ao longo da vida. A hanseníase é passada de uma pessoa que tenha uma forma transmissível da doença e não esteja em tratamento, para outra pessoa.

Uma curiosidade que dificulta o controle da doença é que a incubação longa. Isso significa que a partir do momento em que a pessoa entra em contato com a bactéria, só vai ficar doente cerca de sete a oito anos após. A hanseníase se manifesta na pele pelo aparecimento de manchas brancas ou vermelhas e de lesões vermelhas altas denominadas placas ou infiltrações. Essas lesões se caracterizam por terem a perda da sensibilidade, porque a bactéria tem uma afinidade grande pelos nervos periféricos.

A Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH), entidade fundada em 1948, alerta que há uma endemia oculta de hanseníase no país e que os números reais sejam de 3 a 5 vezes maiores. A doença tem cura e tratamento é gratuito – a medicação é doada pela OMS ao Brasil. Ainda assim, o Brasil é um país que diagnostica tardiamente a hanseníase, depois que o paciente já convive com a doença por anos e apresenta sequelas irreversíveis e incapacitantes. O diagnóstico precoce evitaria milhões de reais em benefícios pagos pelo INSS por afastamentos temporários ou permanentes por hanseníase.

Antigamente conhecida como lepra, o brasil adotou o termo hanseníase na tentativa de minimizar o estigma contra pessoas afetadas pela doença e também seus familiares.

Em tratamento, o paciente deixa de transmitir – hanseníase é provocada por um bacilo e o paciente pode apresentar manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na pele, diminuição ou perda de sensibilidade, pois o bacilo ataca os nervos e é comum o paciente se machucar e não sentir. O diagnóstico é clínico.

O Brasil passou a ocupar, recentemente, o 1o lugar em taxa de detecção da doença.

Desde o início da pandemia, o Brasil passou a sofrer desabastecimento de medicamentos e a SBH tem discutido com autoridades brasileiras e organismos internacionais sobre o problema para evitar que pacientes em tratamento e novos diagnosticados fiquem sem medicamentos.

Campanha Todos Contra a Hanseníase

Para alertar a população, a SBH desenvolve, desde 2015, a campanha nacional Todos Contra a Hanseníase, que acontece em todo o país durante todo o ano, mas intensifica ações no mês de janeiro em virtude da oficialização do Janeiro Roxo, pelo Ministério da Saúde, desde 2016, para ações de conscientização sobre a doença.

Em parceria com agências reguladoras de transporte, concessionárias de estradas divulgarão em painéis luminosos das rodovias mensagens sobre o tema. O VT da campanha também será veiculado por emissoras de TV em todo o país a título de utilidade pública. A SBH mantem parceria com várias instituições para conscientizar sobre a doença. Além disso, a campanha Todos Contra a Hanseníase é parceira oficial do World NTD Day – Dia Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas - https://worldntdday.org/ .


Fonte - Revide
Fonte de imagem - Revide