Couromoda 2020

Primeiro grande evento no calendário do setor calçadista, feira reúne marcas que respondem por 90% da produção nacional. Empresas do interior de SP apostam em conforto, acabamento e tecnologia.
14 - 01 - 2020- Franca

Franca Franca

Em meio a um dos piores períodos de sua história, marcado também por reformas aprovadas pelos governos federal e estadual, os fabricantes de calçados de Franca (SP) tentam ampliar o volume de negócios na Couromoda, evento mais importante do setor no primeiro semestre no país que começa nesta segunda-feira (13).

Com 2 mil coleções, a feira em São Paulo chega à 47ª edição com empresas que concentram 90% da produção de sapatos brasileiros. Em 2019, a feira recebeu 31 mil visitantes do Brasil e do exterior.

Medidas como a redução do ICMS de 7% para 3,5% para a cadeia produtiva, que começa a valer em março, já mudam a projeção de vendas para os empresários do segmento, que em 2019 chegou a atingir o pior nível de empregados desde 2000, com média de 17,9 mil trabalhadores, e a menor produção de pares desde 1997, com 24,2 milhões.

Os resultados positivos obtidos no Natal e no fim do ano contribuem para uma sensação de otimismo, afirma José Carlos Brigagão, presidente do Sindicato da Indústria de Calçados de Franca (Sindifranca). Empresários consultados pela reportagem esperam vendas 30% maiores e uma taxa de visitação aos estandes até 50% maior.

"Entendemos que o governo federal vem desenvolvendo reformas importantíssimas na recuperação da indústria brasileira, bem como a assinatura pelo governo estadual do Decreto 64.630, em 3 de dezembro, na redução do ICMS para a cadeia produtiva, com foco na recuperação da indústria paulista. Desta forma, a nossa expectativa é muito positiva. Será um crescimento gradativo e sustentável", afirma.

 

Aposta no conforto

 

Um dos maiores polos calçadistas do país, Franca será representada por 54 fábricas na feira em São Paulo. Muito além dos produtos focados no público masculino, vocação da indústria local, as unidades apostam em sapatos femininos, cintos e bolsas, em concorrência com outros polos de fabricação brasileira.

Diretor comercial da Balatore, Vinicius Balatore Barbosa afirma que levará 120 modelos de 11 linhas diferentes, todas voltadas a mulheres.

Dedicada ao mercado interno, a empresa se preparou para se adequar ao gosto e aos climas de diferentes regiões. Mas, na contramão das tendências outono e inverno, a grande aposta está em sapatos mais abertos e confortáveis, adequados ao calor do início do primeiro semestre.

"A gente trabalha com um produto bem casual, para o dia a dia, produto que traz bastante conforto para a mulher. O consumo feminino mudou muito. Antes, o pessoal se preocupava somente com sapato mais fino, que não trazia conforto para o dia a dia, e as mulheres estão mudando essa ideia, não quer mais sentir dores nos pés", afirma.

A expectativa é de que as vendas cresçam 30% na comparação com 2019 e que a indústria garanta até um mês de produção após o evento.

"Apesar de o país enfrentar uma crise econômica, todo ano subsequente nosso foi de crescimento. E agora a expectativa é ainda melhor, com a economia voltando a melhorar, com as medidas econômicas que foram tomadas. A confiança volta a reinar entre os empresários", diz. 

Estrangeiros

Vitrine da indústria calçadista brasileira, além de visitantes de todo o país, durante três dias a Couromoda deve atrair mais de mil compradores de países como Estados Unidos, Bolívia, Equador, Argentina e Chile em um momento que o setor, segundo os organizadores, fechou 2019 com crescimento entre 2% e 2,5% nas exportações.

Para José Carlos Brigagão, episódios como o conflito entre EUA e Irã e variação do dólar desafiam os fabricantes brasileiros, mas não assustam. "Quanto à instabilidade política no exterior e com a volatilidade do dólar, elas realmente causam apreensão no meio empresarial e na economia, mas é algo sazonal e de curto prazo", afirma o presidente do Sindifranca.

Estande coletivo com 19 empresas da cidade, o Espaço Moda Franca se prepara para receber estrangeiros principalmente do Mercosul, dos Estados Unidos, além de Oriente Médio, de países como Emirados Árabes e Arábia Saudita. Os negociadores devem ajudar a alavancar as visitas em 50% em relação ao ano passado, com até 9 mil pessoas recepcionadas, afirma Cristiane Nazar, gestora do espaço.

"Já caiu no gosto deles. É feita uma pesquisa antes do lançamento. Quando os fabricantes vão produzir as amostras já fazem baseados no que está sendo procurado lá fora", diz.

As lojas estão mais modernas e personalizadas, com direito a um painel para posts nas redes sociais e decoração que remete a outras vocações do município paulista, como o café e o basquete, além da disponibilidade de um intérprete trilíngue para facilitar as negociações.

Com essas melhorias, além da aposta no acabamento em couro e no conforto, as empresas esperam superar o volume de negócios do ano passado, que terminou em queda de 38,8% com R$ 286,5 mil. Além de encomendas de botas e calçados mais fechados para os próximos meses, sandálias e sapatos mais baixos para o verão à pronta entrega estão no portfólio das fábricas.

"A Couromoda é um termômetro inicial do ano, vem pra chancelar o restante do ano. É a feira mais esperada, é onde o pessoal consegue ter um parâmetro de como o ano vai se comportar. Como vai ter muita visitação de importadores, isso acaba influenciando também o mercado interno. Se lá fora está vendendo também vai vender aqui", avalia.

Parte do Espaço Moda Franca, Vinicius Balatore tentará criar novos laços comerciais no exterior. "A gente que ainda não exporta tem que tentar aproveitar essa oportunidade para estar se apresentado ao mercado externo."


Fonte - g1
Fonte de imagem - g1